quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

CAPITAL x TRABALHO

Domingo passado a noite, TV Bandeirantes, programa Canal Livre, conduzido por Joelmir Beting, debate sobre a crise no emprego, com as participações de Paulo Skaf da Federação das Industrias de São Paulo e o deputado Paulinho da Força Sindical. Opiniões sobre a crise, de um lado e de outro. Mas inevitavelmente um assunto vem a baila: reforma trabalhista. Um assunto superado no Primeiro Mundo, onde as partes, empregadores e empregados se entendem diretamente. Aqui não, aqui temos os mediadores: Governo, Congresso, Ministério Publico do Trabalho e Justiça do Trabalho. Ou seja, alem dos interessados, o Sr. Capital e o Sr. Trabalho, temos mais quatro interessados em manter seus feudos de poder e, por conseguinte, suas arrecadações sobre o Sr. Trabalho. Percebe-se claramente que o Sr. Capital quer remunerar mais o Sr. Trabalho, pelos serviços prestados, mas isso implica em ampliar o poder de negociação dos que representam o Sr. Trabalho. Briga de foice, se me permitem o trocadilho infame. Brazucas vão a todas as partes dos EUA e Europa e ganham a vida lavando pratos, limpando banheiros, cortando grama, cuidando de crianças, e mais uma variada gama de atividades consideradas aqui como de 3ª, 4ª ou 5ª linha. E mais, alem de conseguirem o suficiente para se manterem lá fora, ainda ajudam a manter ou a montar negócios aqui para a família ir tocando, até que o mesmo possa voltar e se estabelecer na dita “terra natal”. Aqui não, aqui não é possível conseguir isso só trabalhando, honestamente. E porque? Porque a relação Capital x Trabalho tornou-se altamente poluída, especialmente após a Constituição de 1988, quando suas excelências se esbaldaram na arte de produzir despesas sem perguntar de onde viriam as receitas, inclusive na questão do Trabalho. O Sr. Trabalho continua sendo um débil mental, incapaz de se representar quando se trata de estabelecer o quantum e de que forma se farão as bases da relação. Quem teria que sair ganhando nessa negociação seria o Sr. Trabalho, mas como ele é mentalmente incapaz, precisa de todos os outros interessados no seu naco de poder, para conseguir obter qualquer coisa em uma negociação “entre as partes”. Enquanto for assim, o Sr. Trabalho continuará sendo um incapaz e será remunerado, na sua maioria esmagadora, por um ou dois salários mínimos, míseros 465,00 reais. Já temos faculdades de Gestão Pública, porque não criarmos faculdades de Gestão Sindical? É bem verdade que temos muitos sindicatos por ai administrados por malandros, mas não é regra comum. O debate ia bem até que se falou em reforma trabalhista. Ai o deputado Paulinho saltou, como se tivesse sido picado por uma cascavel, falando que querem acabar com o 13º Salário e o FGTS. Foi direto naquilo que ele sabe ser “imexível”, até por questões culturais dos brasileiros. Do outro lado, o Sr. Paulo Skaf coloca uma questão que atinge todos os empregadores, pequenos, médios e grandes: as reclamatórias trabalhistas. Atualmente, é errado pagar ex-empregado quando da Rescisão do Contrato de Trabalho. Lá dentro do próprio sindicato vai ter um advogado ou pessoas ligadas a ele, orientando para que entre com uma ação trabalhista na Justiça do Trabalho, prometendo que ele vai ganhar tudo de novo. E se o empregador não estiver organizado, acabará pagando mesmo. Gostaria ele, Paulo Skaf, que ficasse estabelecida como Lei a condição de que quitou o Contrato de Trabalho, pagou para sempre. Bobagem, claro, isso nunca será aprovado por suas excelências. Para flexibilizar as relações do Sr. Trabalho com o Sr. Capital se poderia muito bem fracionar em 12 meses custos como Multa Rescisória, 1/3 sobre Férias, Aviso Prévio, Salário Família e outros penduricalhos menores, e incorporá-los diretamente aos salários. O Sr, Trabalho agradeceria esse dinheiro a mais seu no bolso, pois o que realmente deveria interessar é o bem estar apenas do Sr. Trabalho. Por enquanto, o que se percebe é que o Sr. Capital está pagando, mas o Sr. Trabalho não está nada satisfeito. Satisfeitos mesmo estão “outros” que são aquinhoados nessa relação que deveria ser entre duas partes apenas.

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